sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Os desafios da indústria brasileira


Roberto Macêdo, presidente da FIEC (IMAGEM: Sistema FIEC)

Inovação e produtividade são dois dos grandes desafios que se colocam à indústria do Ceará e do Brasil, para que o setor produtivo se desenvolva e volte a seguir o trilho do crescimento. Esta foi a ideia central deixada por Roberto Macêdo, Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), num encontro com jornalistas, que se realizou esta semana, na Casa da Indústria, em Fortaleza, onde os industriais cearenses revelaram dados sobre o desempenho da economia em 2012 e traçaram as expectativas para 2013.
Roberto Macêdo fez o pronunciamento justamente um dia antes de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) anunciar que o Ceará fechou ano de 2012 com a produção industrial em queda. Após acumular sucessivas perdas, a produção industrial cearense fechou com retração de 1,3% no acumulado do ano passado. O movimento foi contrário à média da Região Nordeste (crescimento de 1,7%) e de estados da Região como Pernambuco (expansão de 1,3%) e Bahia (4,2%). A previsão da FIEC é reverter a trajetória de queda e crescer 4% em 2013, no que respeita à indústria de transformação, construção civil e serviços industriais de utilidade pública.
Focado na “construção das bases da indústria do futuro”, Roberto Macêdo lembrou um dado que serve de alerta ao setor produtivo brasileiro: “Já é de 20% o índice de participação de produtos industrializados importados no consumo dos brasileiros.” Há apenas 6 anos, esse índice não ultrapassava 10%. Isto significa que os brasileiros estão a consumir mais produtos importados, numa tendência “crescente e veloz”. Na opinião de Roberto Macêdo, “este cenário exige medidas arrojadas e apropriadas para revertê-lo”, o que implica colocar o foco “nas soluções que podem levar à melhoria da nossa produtividade e ao aumento da nossa competitividade”.
O presidente da FIEC aponta o caminho: “Temos que estancar o processo de perda de espaço junto ao consumidor e ampliar a nossa capacidade de atender o mercado interno e de aumentar as nossas exportações.”
Neste processo, os industriais cearenses consideram fulcral um “trabalho conjunto” entre o setor empresarial, as universidades e o Governo, “todos orientados por um projeto de País, com um agenda que vá do curto ao longo prazo, colocando o Brasil numa posição de destacado ator do mercado global”, enfatizou Roberto Macêdo, desvalorizando a política de incentivos seletiva lançada pelo Governo de Dilma Roussef, pois não tem estimulado os empresários a realizar novos investimentos. “Diminui o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) da indústria automobilística, mas em seis meses ele acaba. Ninguém vai investir porque daqui a seis o imposto vai acabar”, argumentou.
Dando conta de alguns exemplos pioneiros de parcerias com universidades cearenses, Macêdo reconheceu que “o desafio maior do Sistema FIEC é atender as necessidades de empresas de todos os portes, onde quer que elas estejam localizadas”. Daí o esforço da FIEC, através de várias organizações do sistema – SENAI, SESI, IEL, INDI, CIN e FIRESO –, fortalecendo sua presença em diversas regiões do Ceará, com o objetivo de chegar a 8 pólos industriais do interior. “Assim, promoveremos a integração territorial do nosso parque industrial, contribuindo para harmonizar o desenvolvimento econômico e social do Ceará”, justificou Roberto Macêdo, lembrando, ao mesmo tempo, que a relação entre o Governo do Estado e a indústria “tem sido valorizada pelo governador Cid Gomes”.
O objetivo estratégico desta atuação da FIEC tem em vista “uma grande mudança cultural que nos leve a somar forças para recuperar e ampliar a nossa participação no mercado consumidor e aumentar a contribuição industrial para o desenvolvimento do Ceará”, afirmou o presidente da FIEC, que insistiu em falar do futuro: “Ao olharmos para o futuro estamos agendando os desafios que a economia do conhecimento impõe ao setor industrial. O conhecimento aplicado é hoje um misto de insumo e de motor da nova indústria, por sua capacidade de associar o tangível e o intangível e de fazer conexões entre a indústria, o comércio e a área de serviços. Combinando conhecimento e capacidade empreendedora, estaremos aptos a consolidar os setores atuais, fazer surgir novos setores, novas empresas, novos e mais qualificados postos de trabalho para gerar renda e desenvolvimento.”
Para isso, Roberto Macêdo revelou que o Sistema FIEC está mobilizando “todos os meios possíveis” para instalar centros de excelência setoriais, laboratórios de ponta, núcleos de energias renováveis, ampliação de escolas profissionalizantes, programas de valorização de talentos, de capacitação em gestão e de promoção da melhoria da qualidade de vida do trabalhador.

Edição: LPR COMUNICAÇÃO
Notícia integral disponível no Portal da Câmara Brasil Portugal no Ceará (ver aqui)

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