O presidente da Câmara de Comércio Brasil Portugal no Ceará, José Maria Zanocchi, afirmou à agência de
notícias Lusa que os investimentos do Brasil em Portugal podem
ser também "políticos e estratégicos". Entrevistado no âmbito da
visita da Presidente Dilma Roussef a Portugal, José Maria Zanocchi disse
esperar que os chefes de governo discutam o papel que o Banco Nacional do
Desenvolvimento Econômico e Social brasileiro (BNDES) pode ter no processo de
privatização da TAP, com financiamentos a companhias brasileiras interessadas.
De acordo com as
informações recolhidas pela agência pública de notícias de Portugal, os
presidentes das câmaras de comércio portuguesas no Brasil defendem que o chefe
do Governo luso, Pedro Passos Coelho, tenha uma “conversa objetiva e
pragmática” com a presidente brasileira Dilma Rousseff, para incrementar as
relações comerciais entre os países. Rousseff estará em Lisboa neste dia 10 de
junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, para o
encerramento do ano do Brasil no país.
"O comércio anual
entre os países ainda é muito pequeno, incipiente. O ano de Portugal no Brasil
vai acabar, mas ele tem de ser considerado apenas um começo, uma oportunidade
de estreitar os laços", afirmou o presidente da Câmara Portuguesa de
Comércio na Bahia, António Coradinho, acrescentando que Portugal pode ser
"um centro logístico de distribuição de produtos brasileiros" na
Europa. E para quem quer investir no Brasil, recomenda aos portugueses que
procurem oportunidades fora dos grandes centros econômicos. No entanto, António
Coradinho reconhece que ainda falta diálogo e vontade política dos governos
para que se possa concretizar a eliminação de barreiras e uma maior aproximação
entre os países.
Já o presidente da Câmara
Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro, Paulo Elíseo de Souza,
disse que o Brasil pode usar como exemplo de investimento bem-sucedido a presença
da Embraer em Portugal. Para Paulo Souza, a agenda de temas de Passos Coelho e
Dilma Rousseff deve incluir também o tema da emigração de mão-de-obra
qualificada portuguesa, "que enfrenta muita burocracia" no acesso ao
mercado brasileiro. "Vou ficar decepcionado se não sair nada de objetivo
da conversa", acrescentou.
Raul Penna, presidente da
Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, realçou que os países
têm de aproveitar a língua comum para fortalecer as suas relações.
"Inglaterra e Estados Unidos têm um comércio importante entre eles, por
que Portugal não tem com o Brasil?", questiona Raul Penna. Os dirigentes
associativos afirmam também que o comércio e os investimentos bilaterais devem
procurar também o espaço lusófono, atraindo oportunidades em África. (Fonte: Agência Lusa)